Ele tem um emprego muito bom. Parece um cargo interessante e certamente bem remunerado. Independente, alguns anos mais velho, responsável e gente boa. E o melhor de tudo: é meu amigo! Em pouco tempo se tornou uma referência pra mim. Olho para ele, para o que ele conquistou e até onde chegou e sonho em chegar lá, ser como ele.

Por causa disso fiquei muito surpreso quando ouvi-o dizer que me admirava. “Como assim?” pensei, “sou eu quem te admiro!”. Na hora é claro que não disse isso. Apenas sorri um pouco encabulado e retribuí com aquele agradecimento padrão n.º 7 que uso após elogios inesperados.

De qualquer forma, essa dúvida ficou ecoando dentro da minha cabeça durante um bom tempo, afinal, o que eu tenho para se admirar? Comparando com ele, sou apenas um piá que só estuda e ainda mora com os pais.

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Eu passei minha vida inteira dentro da igreja. Não me desviei pro mundo das drogas ou do alcoolismo. Pode-se dizer que minha vida é até bem certinha. Meu amigo não. Conheceu a Cristo muito depois. Experimentou tudo que a vida tinha para oferecer e mais um pouco. Eu frequentei todas as classes de escola dominical, aprendi versículos de cor desde criança enquanto ele enchia a cara e pegava o maior número possível de mulheres.

De repente me senti como o irmão mais velho do filho pródigo. O caçulinha saiu de casa e quebrou a cara. Aprendeu a duras penas que não existe lugar melhor para se estar do que junto ao Pai, mas o irmão mais velho nunca saiu de casa. Esteve sempre alí, desfrutando de tudo que o Pai tinha a lhe oferecer e, embora tenha visto o estado em que seu irmão retornou (imundo, faminto e fedido), não conseguiu entender o privilégio que teve em permanecer na casa do Pai.

E lá estava eu, reclamando com o Pai que nunca tive “um bezerro cevado”, ou seja, nunca pude aproveitar de verdade a vida. O irmão caçula tinha acabado de voltar, arrependido pelo que passou, convicto de que o melhor jeito de aproveitar a vida é na casa do pai, admirado pelo privilégio que eu tive de permanecer lá enquanto ele quebrava a cara no mundo… e eu invejando a vida que ele tinha levado lá fora.

Acredito que existem muitos “irmãos mais velhos” por aí. Crescemos dentro da igreja mas sempre invejando o que acontecia lá fora. Até conhecemos muito da Bíblia, mas desejamos viver do outro lado, só por um pouquinho, só pra saber como é. A vida do meu amigo me ensinou que não importa onde estejamos, não existe lugar melhor para se estar do que na casa do Pai. Mas isso é algo que cada um de nós tem que aprender.

A pergunta é: por quanto tempo você vai querer quebrar a cabeça até voltar pra casa?

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