Passar duas semanas no sertão do Piauí mexeu comigo. Voltei de lá com muitas histórias para contar, tanto para rir quanto para chorar. Mas dentre tantas histórias, uma em especial se destaca.

Nosso plano para aquela terça-feira era visitar alguns irmãos, frutos de um trabalho de evangelização iniciado em 2009 no município de Isaías Coelho mas, assim como Paulo e Silas em Atos 16, Deus quis nos levar para outro lugar. E, naquele dia, a nossa Macedônia chamava-se Volta, um povoado ainda não alcançado, de origem quilombola e que ainda preserva antigos cultos africanos.

Foi lá que conheci dona Anatália, a única irmã em Cristo em toda a região. Com um olhar sofrido, as mãos calejadas e o coração machucado por alguns “irmãos”, aquela senhora semi-analfabeta me ensinou uma valiosa lição. Embora se sentisse sozinha e abandonada (nas palavras dela ‘como ovelha desgarrada’), dona Anatália louvava e agradecia a Deus pela sua salvação e por tantas bênçãos. Bênçãos que um “piá de prédio” como eu nem me lembro de agradecer.

Nesse momento entendi porque Deus nos trouxe àquele lugar. Tentando segurar as lágrimas, abri a minha Bíblia e disse para aquela senhora que embora não a conhecesse, Deus a conhecia e se importava tanto com ela que, mudando o nosso planejamento, nos levou até lá naquele dia para dizer-lhe que:

“Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.” Isaías 49:15

Quantas “donas Anatálias” passam por nós todos os dias na rua, na igreja, em nossas casas, esperando alguém que lhes dê palavras de esperança e conforto?

Que cada dia nós possamos experimentar o privilégio de ser um instrumento de amor nas mãos deste Grande Deus que se importa com pessoas comuns, como eu e você.

Gabriel Ruiz de Oliveira

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